quarta-feira, 12 de maio de 2010

O escadote


À uma semana que tenho um escadote aberto à porta do meu quarto. É velho, ferrugento e coberto de tinta branca. Tentei fechá-lo na tentativa desesperada de tirá-lo do caminho, mas ele, velho como está, rejeitou o meu esforço. Deixei-o ficar, pois haverá um dia em que alguém precisará de um escadote, mesmo sendo este velho e obsoleto.
Porra, é deste tipo de coisas que estou farta. Farta da simultaneidade da vida. Farta de escadotes, farta de me levantar todos os dias e pensar que vai ser exactamente o mesmo, farta de tentar ser feliz. E agora pergunto: o que é que ando aqui a fazer? É este o sentido da vida?
Procuro, procuro, procuro... não consigo achar a resposta, mas cada dia dói mais, cada dia é aquela derrota que me deixa mais exausta do que no dia anterior.
Mas eu sei que um dia vou conseguir. Vou fechar aquele escadote endiabrado que me estorva, vou acordar e pensar que tudo será diferente, vou ser feliz... mesmo que isso seja só um sonho.

Sem comentários:

Enviar um comentário